O Labirinto
Há um tempo que as crianças já não brincavam mais no parque,
O balanço encontrava-se abandonado.
E os pombos que ali habitavam,
Tornavam tudo um pouco sombrio e pesado.
Não importava o azul ou o cinza,
Era uma noite eterna.
E havia escarro por todos os lados.
Cachorros corriam atrás de pássaros,
E o cheiro era fétido e nojento,
Como um mamão estragado.
De manhã, a tarde, a noite...
Pela madrugada, eram os mendigos os felizardos.
Mas ali sempre parecia estar...
Abandonado.
A poeira corria para lá e para cá.
As folhas verdes, repentinamente,
Já estavam amarelas, esfumaçadas.
Era primavera, mas lá parecia que o tempo não tinha chegado.
Até que um dia,
Adentrou ao parque um pequeno menino,
E com os olhos vibrantes perdeu-se naquele labirinto.
Viu tantas cores, beijou tantos passarinhos,
Sentiu o cheiro de manhã escorrendo em seus pequenos ombrinhos,
E um virtuoso extase de vida dançou nas suas pupilas,
E as árvores em harmonia dançavam com alegria.
Tudo em perfeita sintonia.
Não importava o azul ou o cinza.
Os escarros, ele nem percebia.
De manhã, a tarde, a noite...Pela madrugada ele sentia,
As mesmas coisas que sentira aquele dia.
E uma breve pausa deu-se naquele momento.
Percebeu que tudo estava em sua mente,
Nos seus sonhos de menino,
No seu olhar inocente.


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