quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Frágeis Mãos

Crianças giravam de mãos dadas,
a areia voava esfarelada,
os olhos lacrimejavam, mas nada,
nada acabava com as minúsculas risadas.
O sorvete escorria no canto da boca
era engraçado vê-los suados.
Os homens que passavam na rua,
eram apenas grisalhos.
E seus olhos não diziam,
seus olhos só estavam casados.
Havia perigo logo perto da esquina.
Na casa dos ratos os homens não ousavam.
Para as crianças aquilo era apenas...
Um perigo alarmado.
Escondiam-se nos braços,
no colo,
na curva do pescoço.
E logo mais,
Voltavam a girar de mãos dadas,
aonde a areia esfarelada voava
e mais nada.

À noite o doce girar
virava cantos de ninar.
E adormeciam como anjos,
não sabiam o que era pensar.
O medo não existia
só os pesadelos.
O medo era a chuva,
o barulho do vento.
Vovó dizia e cantava,
e acalmava e limpava
os olhos que lacrimejavam.
Logo no dia seguinte esqueciam-se
e voltavam a girar com a areia esfarelada.
E abraçavam a todos e todos os abraçavam
"Não são perfeitos?"
"Não sabem o que é pensar!"
E seus pequenos bracinhos apontavam para o luar.
E as estrelas paradas,
eram um brilho que não podiam explicar.
Os velhos diziam que eram impossíveis de se alcançar.

Não passavam do cerco de outros braços,
dos braços que também eram cansados como o olhar.
E apenas voltavam para seu lugar,
onde a areia voava
e o brilho que não se podia explicar.
Todos os assistiam e pediam,
Pediam beijos e que se lembrassem de sua face.
Diziam para aproveitar enquanto...
Diziam que não era para chorar.
Todos olhavam com uma triste alegria,
Mas nada importava, eles só queriam girar.
E seus pedidos eram uma ordem.
Mas obedeciam sem saber explicar.
Mas quando pediam,
os velhos mordomos atendiam,
e as crianças riam e não pareciam se importar.
Nada, nada era tão importante...
Quanto poder girar.
Só à noite que o brilho branco...
Parecia cativar.
E aquelas pequenas esferas negras,
paralisavam sobre o ar.