sábado, 18 de junho de 2011

Gaiolas

Parece que as palavras acabam
Eu escrevo para mim...
Tudo o que pouco a pouco
Desfaz-se dentro da minha cabeça
Transforma-se num verso
Mas ainda assim me disperso
Porque olho para a folha e não vejo nada
Olho para a folha e vejo só palavras

Olho para mim mesmo e vejo
Vejo um ser que morre
Mas que ao mesmo tempo é presente
Passado e futuro.
Não importa. Porque o que me espera
É sempre a continuidade
O que me espera são os acontecimentos
Não as limitações enjauladas

As minhas mãos tocam o teu rosto
O que as minhas mãos sentem?
Nada. Não há nada.
Você me olha. Apenas olha
E mais nada.
Porque você não tem nada
Alem de suas limitações enjauladas.
Seus olhos são lindos, seus traços encantados

Mas não queria tocá-los...
Não passam de um pano que reveste seu osso.
E eu escrevo para mim.
E para os pássaros que cantam às sete da manhã e não se calam
Porque tem muito para falar.
E ninguém os cala.
Porque ninguém entende o que estão a declamar
Porque ninguém entende que os pássaros precisam cantar!