Ratoeira
Ando para todos os lados,
Mas a minha vontade
É de ficar parada.
Deixo o vento me empurrar...
Mas a rua é estreita para me deixar.
Me prende.
Entre o arame farpado
E a natureza emboscada num quadrado.
Eu não posso fazer nada,
A minha janela é só mais uma
Nesse Lugar Inventado
Nessa rotina criada,
Para me fazer...
Apenas mais um rato do Estado
Me escondendo sem poder aparecer
Me enfiando em todos os buracos,
Para não precisar obedecer,
Essa merda toda que a sociedade...
Engole da TV
Esse lixo todo que me aterra sem perceber.
Mas como um rato,
Esse lixo é um baú achado
E eu me escondo nele,
E como calada.
Me infiltro em todos os buracos,
Porque a vida passa
Apesar do cansaço
Apesar da simples vontade de ficar calada.


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