O Florista
O florista atravessou o campo
Com os pés descalços
Sentindo a terra embaixo
Tocar seus pés fatigados
Cansados de procurar
A rosa do campo
Que ninguém conseguiu achar
Que ninguém conseguiu tocar
E mesmo com o vento
Cantando entre os galhos
Passando sedento
Para afugentar novos olhares...
O florista atravessou o campo
Para achar seu tesouro mais valioso:
A rosa do campo
Mesmo com o dia luminoso e cheio de dor
Mesmo com a inconstância do mundo
O florista avistou um rio
E pos seus pés a descansar
E num profundo suspiro, pôs-se a chorar
Com fúria e medo
Uma ânsia, um desespero
Um grito de esperança
Para seu tesouro
Queria voltar seu percurso
Desistir de tudo
Pois parecia não valer
Tamanho esforço
Culpou o vento e a seca
Culpou o homem
E a sua própria crença
E não cessou a chorar.
Enquanto as gotas
Escorriam grossas
Como um temporal
Olhos, nariz e boca
Onde não teve medo de chorar
E de sentir o vento atravessar sedento
E de não gritar a solidão
Que invadiu seu peito
Com medo e coragem
De olhar para horizonte
Avistou a rosa
Que brilhava inócua no monte
Ao fitá-la
Sentiu-se completo
Mas não olhou para fora
Apenas para dentro de si mesmo
E na ânsia do florista
De tocar a rosa
Não percebeu que na mais bela
Havia espinhos grossos
Atravessaram sua carne
E o líquido correu em suas veias
E a rosa inócua
Transformou-se em pesadelo
Sentiu um profundo êxtase
Mas a morte logo veio
Então o florista conseguiu sua mais bela proeza
Caminhar pelo Vale da Morte
- Completo de rosas com espeto


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